A partir de 26 de maio de 2026, entra em vigor a atualização da NR-1, que passa a exigir de forma explícita a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Isso significa que fatores como estresse crônico, metas abusivas, sobrecarga de trabalho, assédio, conflitos recorrentes, falta de autonomia e comunicação agressiva deixam de ser tratados apenas como problemas comportamentais e passam a ser reconhecidos como riscos ocupacionais formais, com impacto direto na saúde do trabalhador e na responsabilidade legal da empresa.
A norma reforça que o adoecimento mental não deve ser visto como fragilidade individual, mas como possível resultado de falhas organizacionais. Assim, empresas precisarão demonstrar que identificam, avaliam e controlam esses fatores de forma contínua, com revisão periódica do PGR e do GRO sempre que houver mudanças na estrutura, na liderança ou na rotina de trabalho. Não basta ter um documento: será necessário comprovar gestão real e contínua.
Valores das multas
O descumprimento das exigências da NR-1 é penalizado com base na NR-28 (Fiscalização e Penalidades). Em 2026, os valores mais comuns para infrações ligadas ao PGR e ao GRO — incluindo a ausência de gestão de riscos psicossociais — ficam, em geral, nas seguintes faixas:
Aproximadamente de R$ 2.400 a R$ 6.700 por infração para falhas como não implementar ou não atualizar o PGR/GRO.
Valores podem aumentar em caso de reincidência, resistência à fiscalização ou exposição de muitos trabalhadores.
Em situações mais graves ou com múltiplas infrações, o total acumulado pode chegar a dezenas de milhares de reais, dependendo do porte da empresa e da gravidade.
Quando as multas começam
Até 25 de maio de 2026, a fiscalização tende a ter caráter orientativo e educativo.
A partir de 26 de maio de 2026, as autuações e multas passam a ser aplicadas normalmente para empresas que não estiverem adequadas às novas exigências.
Em síntese
A nova NR-1 transforma a gestão de riscos psicossociais em parte obrigatória da saúde e segurança do trabalho. O foco deixa de ser apenas o documento e passa a ser a gestão efetiva do ambiente organizacional. Empresas que não se adaptarem poderão enfrentar multas, aumento de passivos trabalhistas e impactos na saúde de suas equipes. Já aquelas que integrarem cultura, liderança e gestão ao GRO tendem a reduzir riscos, custos e conflitos no médio e longo prazo.


